O mercado de limões no Brasil atravessa um período de alta expressiva nos preços, mesmo em meio à entressafra. Este cenário é impulsionado por uma baixa produção devido a condições climáticas adversas, que afetaram a colheita e a qualidade dos frutos. Consumidores e produtores sentem no bolso a volatilidade de um produto que, historicamente, já apresenta flutuações significativas de preço.
Condições climáticas e impacto na produção
De acordo com o pesquisador Renato Garcia Ribeiro, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), as chuvas excessivas no início do ano comprometeram a florada dos limoeiros, o que contribuiu para a redução da oferta. A florada, que é fundamental para a produção no segundo semestre, foi diretamente afetada, gerando um impacto que se estenderá até a entrada da nova safra, prevista para novembro.
O cinturão cítrico paulista, que responde por 80% da produção nacional, registrou aumentos significativos no preço do limão tahiti. Segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o preço pago aos produtores saltou de R$ 32,10 em junho para R$ 104,78 em agosto por caixa de 27,2 kg, um aumento de 226,4%.
Efeitos no mercado interno e externo
Além da redução na oferta interna, a concorrência com o mercado externo, especialmente a demanda europeia, exacerbou a escassez. Aproximadamente 11% da safra brasileira é exportada, e o aumento da demanda interna, impulsionado pelo calor em agosto e setembro, agravou ainda mais a situação, elevando os preços no atacado.
Repercussões e expectativas futuras
Especialistas destacam que, embora a normalização dos preços esteja prevista para o final do ano com a nova safra, os impactos climáticos deste ano podem refletir no futuro. O fenômeno El Niño, esperado para 2027, pode trazer calor e déficit hídrico, afetando novamente a florada dos limoeiros. Renato Ribeiro observa que, embora o El Niño deste ano não tenha sido o principal causador dos problemas, suas consequências podem ser sentidas no próximo ciclo.
As regiões mais afetadas, como Bebedouro e Matão, concentram a maior parte da produção de limões do país e enfrentam dificuldades para estabilizar a oferta. A Conab indica que, mesmo com a redução recente nos preços na Ceagesp, ainda é incerto se essa tendência se manterá.
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