A contagem regressiva para a Black Friday 2026 já começou, com a data marcada para 27 de novembro. Faltando apenas 48 dias, muitas empresas estão atualmente no processo de planejamento de suas campanhas, definindo preços, estoques, peças publicitárias e prazos de entrega. No entanto, antes de determinar qual desconto oferecer, uma questão essencial deve ser considerada: se alguém questionar a oferta, a empresa está preparada para provar sua veracidade?
A importância da comprovação na publicidade
A resposta para esta pergunta reside no Código de Defesa do Consumidor. De acordo com o artigo 38, cabe ao patrocinador da publicidade o ônus de provar a veracidade e a correção das informações veiculadas. Este é um requisito legal, independente de qualquer decisão judicial. Além disso, o artigo 30 esclarece que uma informação suficientemente precisa obriga o fornecedor e passa a integrar o contrato. Assim, o que uma empresa anuncia se torna um compromisso, e ela deve ter provas de que a oferta apresentada é correta.
Planejamento e execução eficazes
Para que a Black Friday seja um sucesso sem gerar passivos futuros, é crucial que as empresas estabeleçam provas junto com suas campanhas. Isso inclui decisões bem documentadas sobre preço de referência, estoque, frete, prazo de entrega e atendimento ao cliente. Por exemplo, se uma oferta menciona um desconto “de R$ X por R$ Y”, é essencial que haja clareza sobre o preço anterior e o período em que ele foi praticado.
Elementos críticos para o sucesso
Além do preço, o estoque precisa ser ajustado à demanda prevista, e qualquer limitação deve ser claramente informada na oferta, conforme estipulado pelo decreto de comércio eletrônico. Transparência em relação ao frete e prazo de entrega também é fundamental. Durante a Black Friday, a logística deve ser capaz de cumprir as promessas feitas aos clientes, e o atendimento deve estar preparado para lidar com um aumento no volume de consultas e reclamações.
A importância de um arquivo organizado
Para garantir que todas as promessas feitas durante a campanha possam ser comprovadas, é recomendado que as empresas mantenham um arquivo bem organizado. Isso deve incluir o histórico de preços, cópias das publicações de ofertas, registros de estoque e entregas, além de dados que sustentem a mensagem publicitária. Embora o Código de Defesa do Consumidor não estipule um prazo específico para a retenção dessas informações, é prudente guardá-las de acordo com os prazos legais de possíveis reclamações.
Exemplo prático
Considere um cenário hipotético: um eletrodoméstico é anunciado com desconto por tempo limitado, e a oferta é ajustada várias vezes durante a campanha. Se um cliente reclamar meses depois, a empresa que documentou cada versão da oferta e o histórico de preços poderá responder rapidamente. Em contrapartida, uma empresa sem esse cuidado enfrentará dificuldades para validar suas informações, mesmo que as intenções iniciais tenham sido as mesmas.
O desafio dos erros de sistema
Outro aspecto que merece atenção é como lidar com erros de sistema que resultam em preços divulgados incorretamente. A jurisprudência sobre erros evidentes varia entre os tribunais estaduais, com algumas decisões isentando a obrigação de honrar o preço em casos de erro grosseiro, enquanto outras exigem que o preço anunciado seja cumprido. Por isso, é vital que as empresas possam demonstrar quando um erro foi identificado e corrigido.
Com o aumento da comparação de preços e o acompanhamento rigoroso por parte da fiscalização, a Black Friday tornou-se um evento que também envolve gestão de riscos. Seguir procedimentos organizados não elimina completamente os riscos, mas ajuda a minimizá-los e protege a margem de lucro da campanha. Assim, cabe aos gestores garantir que, caso um desconto seja questionado, a empresa possa apresentar evidências claras de sua oferta.
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Fonte: https://jovempan.com.br








