Em uma decisão que promete impactar o mercado de telecomunicações no Brasil, a Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, sem restrições, a compra da operadora de internet Desktop pela gigante Claro. A medida foi tomada após cuidadosa análise de potencial impacto concorrencial, afastando as preocupações iniciais sobre possíveis dificuldades na confirmação desta operação.
Impacto no mercado de banda larga
O parecer do Cade destacou a significativa sobreposição das operações das duas empresas no mercado de banda larga fixa, especialmente em 198 municípios. Nessas localidades, as participações de mercado conjuntas da Claro e da Desktop serão bastante relevantes. No entanto, o órgão antitruste concluiu que a probabilidade de a Claro exercer poder de mercado unilateralmente é reduzida, mesmo nas cidades onde a presença será mais expressiva.
Rivalidade e contestabilidade mitigam riscos
O Cade também citou que as condições de entrada, a rivalidade entre as empresas e a contestabilidade do mercado são fatores suficientes para mitigar os riscos concorrenciais. A presença de infraestrutura de redes e a atuação de concorrentes locais e nacionais garantem, segundo o órgão, um ambiente competitivo. Além disso, a Claro terá incentivos econômicos para desocupar gradualmente infraestruturas que se tornarem redundantes com a aquisição.
Relevância da aquisição para a Claro
A aquisição da Desktop, que possui 1,2 milhão de clientes em 198 cidades no estado de São Paulo, representa um passo estratégico para a Claro em sua batalha por market share na região. A Claro, que já conta com 4,5 milhões de clientes no estado, vê na compra uma oportunidade de se aproximar ainda mais de sua principal concorrente, a Vivo, que possui 4,9 milhões de clientes.
Histórico e detalhes da transação
Antes da aprovação do Cade, a operação já havia recebido anuência prévia da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) em maio. No entanto, a trajetória para esta aquisição não foi livre de obstáculos. Em outubro de 2025, quando informações sobre a negociação vazaram, a Anatel inicialmente avaliou que a transação poderia ter efeitos negativos no mercado, dificultando a entrada de novos competidores.
Formalizada em março deste ano, a aquisição foi fechada pelo montante de R$ 4 bilhões, incluindo R$ 2,4 bilhões em ativos e R$ 1,6 bilhão em dívidas a serem assumidas pela Claro. Como parte do acordo, a Claro obteve 73% das ações ordinárias da Desktop, com planos de adquirir os 27% restantes em uma segunda etapa. Os vendedores principais foram o fundo de investimento Makalu Brasil Partners, controlado pela norte-americana HIG Capital, e um grupo de acionistas, incluindo o fundador Denio Alves Lindo.
Cenário futuro para as telecomunicações
A aquisição da Desktop pela Claro reflete a tendência de consolidação no setor de telecomunicações, em que operadoras buscam ampliar suas bases de clientes e fortalecer sua infraestrutura. Para os consumidores, essas movimentações podem significar melhorias na qualidade dos serviços e possivelmente novos pacotes e ofertas. No entanto, a atenção do Cade e da Anatel continuará a ser crucial para garantir que a concorrência saudável seja mantida, beneficiando o público com preços competitivos e inovações tecnológicas.
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Fonte: https://jovempan.com.br









