Um relatório recente da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revelou uma realidade preocupante: 9% dos professores da educação básica pública no Brasil não possuem qualificação completa. O estudo, divulgado em 29 de outubro, destaca que esse percentual é quase equivalente à média dos países da OCDE, que é de 9,1%. A pesquisa considera como não qualificados aqueles docentes que não possuem diploma, certificação ou formação pedagógica adequada.
Causas da escassez de professores qualificados
O relatório, intitulado ‘Panorama da Educação 2026’ (Education at a Glance), analisa as dificuldades enfrentadas na contratação de professores qualificados, muitas vezes motivadas pela escassez de profissionais. No Brasil, a falta de professores é mais pronunciada em regiões isoladas ou vulneráveis e em disciplinas como matemática e ciências naturais. Essas áreas enfrentam desafios específicos de recrutamento, o que impacta diretamente a qualidade do ensino oferecido.
Importância do professor na educação
Ricardo Henriques, superintendente-executivo do Instituto Unibanco, enfatiza o papel crucial dos professores na educação. Segundo ele, os docentes são fundamentais para identificar dificuldades dos alunos, adaptar o ensino e transformar conhecimento em oportunidades. Portanto, a valorização dos professores é uma escolha estratégica para o futuro do Brasil. Apesar da diminuição no número de estudantes, o Brasil conseguiu aumentar o número de professores nos anos iniciais do ensino fundamental entre 2015 e 2024, evidenciando um esforço em suprir a demanda por educadores.
Desafios na permanência dos professores
Além da formação, a permanência dos professores qualificados nas redes de ensino é outro desafio. O relatório da OCDE aponta que 10,3% dos professores plenamente qualificados no Brasil deixaram a profissão em 2022, por motivos diversos como aposentadoria ou mudança para escolas privadas. Essa taxa é significativamente superior à média de 6,4% observada nos países da OCDE durante o ano letivo de 2024-2025, indicando a necessidade de políticas que assegurem a permanência dos professores no setor público.
Fatores que influenciam a carreira docente
A OCDE destaca vários fatores que influenciam a atratividade da carreira docente, como salários, condições de trabalho e reconhecimento profissional. No Brasil, apenas 44,3% dos professores dos anos finais do ensino fundamental estavam satisfeitos com suas condições de trabalho em 2022. Esse número é bem inferior à média da OCDE de 68,4%. Em termos salariais, a satisfação é ainda menor, com apenas 22,3% dos docentes brasileiros satisfeitos, comparado a 38,7% na média da organização.
Iniciativas governamentais para enfrentar a escassez
O Ministério da Educação (MEC) tem adotado medidas para enfrentar a escassez de professores qualificados. O programa ‘Mais Professores para o Brasil’, iniciado em 2025, visa valorizar a carreira docente através de políticas específicas. Outra iniciativa, o ‘Pé-de-Meia Licenciaturas’, tem atraído mais estudantes para cursos de formação de professores, resultando em um aumento de 106% nas matrículas de estudantes de alto desempenho no Enem em cursos de licenciatura entre 2024 e 2026.
Além disso, o MEC tem reforçado o acompanhamento da qualidade dos cursos de licenciatura através do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) e o fortalecimento do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid). Essas ações visam não apenas aumentar o número de professores, mas também assegurar que eles estejam bem preparados e motivados a permanecer na profissão.
A entrada de profissionais de outras áreas na docência é uma estratégia apontada pela OCDE para combater a escassez. Essa abordagem pode trazer novas perspectivas e experiências para o ensino, enriquecendo o ambiente educacional.
Acompanhe o RP News para mais informações sobre o cenário educacional brasileiro e outras questões relevantes. Nosso compromisso é com a informação de qualidade e a análise aprofundada dos temas que impactam a sociedade.








