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Saúde

Estudo Alerta para Urgência de Políticas Públicas que Reduzam Efeitos da Menopausa

Um estudo recente, divulgado pelo Instituto Esfera em Brasília, lança luz sobre uma pauta de saúde pública frequentemente negligenciada no Brasil: a **menopausa**. A pesquisa, apresentada nesta terça-feira…

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Estudo Alerta para Urgência de Políticas Públicas que Reduzam Efeitos da Menopausa
© Frame TV Brasil

Um estudo recente, divulgado pelo Instituto Esfera em Brasília, lança luz sobre uma pauta de saúde pública frequentemente negligenciada no Brasil: a **menopausa**. A pesquisa, apresentada nesta terça-feira (3), não apenas sublinha a necessidade imperativa de **políticas públicas** específicas para mitigar os impactos desse período na vida das mulheres, mas também faz um apelo urgente para atenção especial às **mulheres negras** e àquelas em situação de **vulnerabilidade social**.

A transição menopausal, um estágio natural do **ciclo de vida feminino**, pode vir acompanhada de uma série de sintomas físicos e psicológicos que, quando não tratados ou devidamente amparados, geram consequências profundas. Segundo Clarita Costa Maia, pesquisadora e uma das responsáveis pelo estudo, a situação se agrava drasticamente para segmentos específicos da população feminina. “O que constatamos é que a menopausa tem um componente biológico que atinge mais as mulheres negras e há o cruzamento de vulnerabilidades. São mulheres que sentem a menopausa com mais peso, biologicamente e socialmente falando”, explicou Maia em entrevista à Agência Brasil. Essa intersecção de fatores socioeconômicos, raciais e de gênero intensifica os desafios, tornando-as ainda mais suscetíveis aos impactos na saúde e no **mercado de trabalho**.

A Invisibilidade da Menopausa e o Agravamento das Desigualdades

A **menopausa** ainda é vista, em muitos contextos, como um tabu ou uma questão estritamente individual, contribuindo para sua **invisibilidade** no debate público e nas agendas governamentais. Para milhões de mulheres brasileiras, especialmente aquelas que já enfrentam disparidades sistêmicas, a falta de suporte institucional transforma um período de transição biológica em um calvário silencioso e oneroso. A pesquisa do Instituto Esfera destaca que, para as mulheres que são o principal sustento da família ou líderes familiares – um cenário comum no Brasil –, os sintomas não tratados da menopausa representam uma ameaça direta à sua capacidade de manter-se no trabalho e garantir a subsistência de seus lares. “Ela é, em regra, o arrimo de família e líder familiar. São mulheres que ficam numa posição muito frágil no **mercado de trabalho**”, ressaltou a pesquisadora.

Essa fragilidade se manifesta em absenteísmo, redução da produtividade e, em casos mais graves, no afastamento definitivo do emprego. As consequências não se limitam ao indivíduo; estendem-se a todo o núcleo familiar, gerando instabilidade financeira e social. O estudo é enfático ao afirmar que tratar a mulher na menopausa com a devida atenção de **políticas públicas** é, na verdade, cuidar do bem-estar e da estabilidade de toda a família e, por extensão, da sociedade.

Impactos Profundos na Saúde Mental e Desafios Demográficos

Além dos conhecidos sintomas físicos, como ondas de calor e alterações do sono, a **menopausa** não tratada pode ter sérias ramificações para a **saúde mental**. A pesquisadora Clarita Costa Maia, que trabalhou no estudo com a médica Fabiane Berta de Sousa, alerta para o aumento significativo das chances de desenvolvimento de condições como Alzheimer, depressão e outras consequências relacionais. A montanha-russa emocional que muitas mulheres experimentam neste período, aliada à falta de informação e apoio, pode levar a “rupturas em nível pessoal das quais a pessoa precisa se recuperar com o tempo e não está entendendo o que ocorre consigo mesma”.

Um fenômeno preocupante apontado pelo estudo é o aumento da **menopausa precoce**, impulsionado por fatores do “modo de vida” contemporâneo. Essa realidade, somada ao **envelhecimento populacional** do Brasil, coloca uma pressão adicional sobre as redes de saúde pública. Se um número maior de mulheres entra na menopausa mais cedo e a população idosa cresce, a demanda por cuidados e suporte para essa fase da vida só tende a aumentar, exigindo uma reestruturação e ampliação dos serviços de saúde existentes.

A Urgência de um Mapeamento Nacional e os Custos da Inação

Para embasar qualquer ação efetiva, o estudo aponta que o Brasil precisa, antes de tudo, de um mapeamento abrangente sobre a realidade da **menopausa** em território nacional. A ausência de dados concretos e de uma “política pública nacional estruturada para a menopausa não é neutra. Produz efeitos concretos sobre a saúde, a economia e a cidadania de milhões de mulheres, com custos que se projetam sobre o sistema de saúde, a Previdência Social e a produtividade nacional”, conforme detalhado no documento. Essa lacuna de informações impede que o governo e a sociedade compreendam a magnitude do problema e desenvolvam soluções adequadas.

Os dados internacionais corroboram a urgência. Nos Estados Unidos, os custos anuais relacionados à menopausa são estimados em US$ 26,6 bilhões, e globalmente, esse valor atinge US$ 150 bilhões. Além disso, mulheres afetadas podem experimentar uma queda de até 10% em seus rendimentos. No Brasil, com uma estimativa de 29 milhões de mulheres nessa fase e 87,9% delas apresentando sintomas, apenas 22,4% buscam tratamento. Este cenário desenha um quadro de **impacto econômico** e social alarmante, reforçando que a inação tem um custo elevado para o indivíduo e para o Estado.

É fundamental, segundo o estudo, desmistificar a ideia de que reconhecer a menopausa como pauta de **política pública** significa patologizar o envelhecimento feminino. Pelo contrário, trata-se de “reconhecê-lo como etapa legítima do ciclo de vida que demanda cuidado, informação e proteção institucional”.

Primeiros Passos e o Caminho a Seguir

Apesar do cenário desafiador, existem sinais de que a questão começa a ganhar alguma visibilidade. No evento de lançamento do estudo, que também premiou “mulheres exponenciais”, Ana Estela Haddad, secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde, indicou uma “maior atenção na prevenção da **saúde da mulher** com o **envelhecimento populacional**”. Ela citou a ativa participação do grupo que representava mulheres na menopausa em um fórum recente criado pelo Ministério da Saúde como um indicativo de que a pauta está emergindo.

Contudo, a conscientização é apenas o primeiro passo. O Brasil precisa transformar essa “maior atenção” em ações concretas: estruturar redes de atendimento, capacitar profissionais de saúde, promover campanhas de informação e conscientização, e, principalmente, desenvolver **políticas públicas** integradas que considerem as múltiplas dimensões da **menopausa**, com um olhar atento às **mulheres negras** e às que vivem em **vulnerabilidade social**. Somente assim será possível garantir que esse período da vida feminina seja vivenciado com dignidade, saúde e bem-estar, sem que se torne um fator de aprofundamento das desigualdades.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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