No Brasil, o investimento anual por estudante, desde o ensino fundamental até o ensino superior, foi de US$ 4.133 em 2023, representando aproximadamente um terço da média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que é de US$ 13.601 por aluno. Esses dados foram divulgados pelo relatório Panorama da Educação 2026 (Education at a Glance 2026), publicado recentemente pela OCDE.
Desafios e Comparações Regionais
O documento apresenta um panorama dos principais desafios enfrentados pelos sistemas educacionais em 50 países, incluindo o Brasil. Quando comparado a outros países da América Latina, o investimento educacional brasileiro também se mostra inferior. No Chile, por exemplo, o gasto anual por estudante é de US$ 5.794, enquanto na Costa Rica é de US$ 7.028. Tais valores foram ajustados para considerar as diferenças no custo de vida entre os países, destacando a discrepância nos recursos destinados à educação na região.
Investimento Público em Educação
Apesar de o gasto por estudante ser inferior à média dos países da OCDE, o Brasil destina uma parcela maior de seu Produto Interno Bruto (PIB) à educação. Em 2023, o país investiu 4,5% do PIB no setor educacional, enquanto a média dos países da organização foi de 4%. Essa diferença, contudo, não tem se traduzido em valores mais altos por aluno, indicando uma alocação de recursos que poderia ser otimizada.
O Ministério da Educação (MEC) destacou que o relatório evidencia uma queda nos investimentos educacionais ao longo de oito anos, tanto no Brasil quanto em outros países. Entre 2015 e 2023, o percentual do PIB destinado à educação no Brasil caiu de 5,5% para 4,6%, enquanto a média dos países da OCDE passou de 4,4% para 4,2%.
Repercussões e Análises
Ricardo Henriques, superintendente-executivo do Instituto Unibanco, expressou preocupação sobre o impacto do baixo investimento por aluno nos resultados educacionais. Segundo ele, mesmo que o Brasil invista uma proporção maior do PIB em educação do que a média da OCDE, a quantia destinada por estudante é significativamente menor, o que compromete a qualidade do ensino e desafia a equiparação de desempenho com países mais bem financiados.
Estrutura de Gastos Educacionais
O relatório indica que, no Brasil e em outros países, os gastos governamentais em educação tendem a aumentar conforme o nível de ensino. Em 2023, o investimento por aluno no ensino fundamental 1 foi de US$ 4.064, enquanto no fundamental 2 foi de US$ 4.390. Nos países da OCDE, essas médias foram de US$ 12.893 e US$ 14.291, respectivamente, evidenciando uma discrepância significativa na alocação de recursos.
Composição das Despesas
As despesas em educação no Brasil são divididas entre despesas de capital, como investimentos em infraestrutura, e despesas correntes, que cobrem os custos operacionais. A maior parte do orçamento operacional no ensino fundamental, cerca de 75%, é destinada à remuneração de docentes e outros profissionais da educação, um percentual inferior à média da OCDE, que é de 79%.
O relatório Panorama da Educação 2026 serve como um alerta para a necessidade de reavaliação e otimização dos investimentos em educação no Brasil. Acompanhe o RP News para mais informações e análises sobre os desafios e avanços no setor educacional brasileiro, reafirmando nosso compromisso com a qualidade e a variedade de temas abordados.








