O ensino das disciplinas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática, conhecidas pela sigla em inglês STEM, requer uma formação contínua e aprofundada dos professores que atuam na educação básica. Essa é a avaliação dos autores do Panorama da Educação STEM no Brasil, um estudo que analisa como essas áreas estão sendo incorporadas no sistema educacional do país.
A necessidade de formação contínua
A pesquisadora Sandra Unbehaum, coordenadora do estudo, enfatiza que a infraestrutura, como a presença de computadores nas escolas, não é suficiente para garantir um ensino eficaz de STEM. Segundo ela, é essencial investir na formação dos profissionais de maneira contínua e integrada ao seu trabalho diário. Muitos educadores enfrentam a realidade de trabalhar em várias escolas ou lidar com um número excessivo de turmas, o que dificulta a participação em formações tradicionais.
Desigualdade no acesso à tecnologia
Um dos desafios apontados é a desigualdade no acesso a tecnologias e infraestrutura entre diferentes regiões do Brasil. A disponibilidade de computadores, acesso à internet e suporte técnico muitas vezes varia, o que pode acentuar as disparidades educacionais. Unbehaum destaca que a tecnologia deve ser acessível de forma democrática para evitar que a falta de recursos contribua para desigualdades no aprendizado.
O impacto da educação STEM
A educação no formato STEM tem um papel fundamental na formação dos estudantes para enfrentar desafios contemporâneos, como a era da inteligência artificial e as mudanças climáticas. Essa abordagem pode transformar o aprendizado em um processo investigativo, crítico e aplicável, preparando os alunos para um mundo em constante evolução. Além disso, Unbehaum ressalta a importância de um ensino integrado, em vez de tratar ciência, tecnologia, engenharia e matemática como áreas separadas.
Desafios e boas práticas
O relatório de 170 páginas destaca desafios como a resistência de alguns professores às tecnologias, devido à falta de conhecimento técnico ou insegurança. Em algumas regiões, como Manaus, a falta de professores com formação específica faz com que docentes de outras áreas acabem ensinando disciplinas de STEM. Já em Curitiba, as elevadas taxas de rotatividade docente comprometem a continuidade do trabalho educacional.
Por outro lado, o estudo também evidencia boas práticas. Em Manaus, por exemplo, iniciativas como jogos de tabuleiro e dinâmicas ‘desplugadas’ são utilizadas para ensinar lógica de programação. Em Belém, óculos de realidade virtual de baixo custo são produzidos com materiais locais para o ensino de geometria. Outras cidades, como João Pessoa e São Paulo, têm investido em infraestrutura e ‘imersões tecnológicas’ para capacitar seus professores.
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