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Nova diretriz muda tratamento da tireoide na gestação

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© Fotorech/Pixabay

Em um movimento significativo para a saúde das gestantes, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia alteraram as diretrizes para o tratamento da tireoide durante a gravidez. Esta decisão surge após três grandes estudos indicarem que o uso preventivo de medicamentos hormonais, em gestantes com anticorpos contra a tireoide positivos (anti-TPO), não reduz os riscos de abortamento ou parto prematuro, desde que a glândula tireoide funcione normalmente.

Contexto e relevância das novas diretrizes

As novas diretrizes foram anunciadas durante o 37º Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia, realizado no Rio de Janeiro, destacando-se no painel “Disfunção tireoidiana na gestação: o manejo que evita danos irreversíveis”. A decisão segue a publicação da Associação Americana da Tireoide, que atualizou suas orientações após quase uma década. No Brasil, a mudança é significativa, pois visa otimizar o tratamento e evitar o uso desnecessário de medicamentos hormonais sintéticos como a levotiroxina.

Impactos na prática médica

Com a alteração, gestantes consideradas eutireoidianas, mesmo com anticorpos positivos, não serão mais tratadas preventivamente com levotiroxina se os níveis de T4 estiverem normais. No entanto, a função tireoidiana continuará sendo monitorada, visto que existe um risco aumentado para o desenvolvimento de hipotireoidismo durante a gestação. Cleo Mesa Júnior, subcoordenador do Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, ressalta que a presença de anticorpos apenas indica uma predisposição, não justificando, por si só, o uso do hormônio.

Rastreamento e diagnóstico precoce

O Brasil seguirá com o rastreamento precoce de todas as gestantes, ao contrário da recomendação da Associação Americana da Tireoide, que sugere um rastreamento mais seletivo. A abordagem brasileira visa garantir que nenhuma gestante com alterações tireoidianas passe despercebida, promovendo uma personalização no tratamento e evitando o uso excessivo de medicamentos sem necessidade.

Abordagem ao hipotireoidismo subclínico

Outra importante atualização diz respeito ao tratamento do hipotireoidismo subclínico, caracterizado por níveis elevados de TSH, mas com T4 livre normal. O tratamento agora é recomendado apenas no primeiro trimestre, quando o feto depende mais dos hormônios maternos. Caso o TSH esteja entre 4,0 e 10 mUI/L após a 12ª semana, a orientação é apenas monitorar, a menos que os níveis de TSH ultrapassem 10 mUI/L.

Essas mudanças refletem uma evolução no entendimento médico sobre o manejo da saúde da tireoide na gestação, priorizando intervenções baseadas em evidências científicas e adaptadas ao período mais crítico da gravidez.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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