O vício em apostas tem se tornado um problema cada vez mais alarmante no Brasil, configurando-se como uma questão de saúde pública. Um caso recente ilustra bem essa realidade: um jovem de 27 anos, morador de São José do Rio Preto, São Paulo, perdeu todo o seu dinheiro em apostas e chegou a viver em situação de rua. Ele, que prefere não ser identificado, revelou ter mantido entre 15 e 20 aplicativos de jogos de azar em seu celular durante o período mais crítico de sua vida.
A luta pessoal e as consequências financeiras
Em entrevista à TV TEM, o jovem contou que passou 24 dias vivendo na rua por não conseguir pagar o aluguel de sua casa. ‘No começo, eu ganhei um pouquinho e fui continuando. Tinha dia que ganhava, tinha dia que perdia. Teve uma vez que eu tive que pegar até um consignado CLT. Peguei R$ 3 mil e coloquei tudo de uma vez. Acho que foi a pior aposta que fiz. Perdi tudo. Foi quando percebi o que estava fazendo com a minha vida’, desabafou. A situação do rapaz reflete a de muitos brasileiros que veem no jogo uma chance de melhorar de vida, mas acabam se afundando em dívidas.
Operação policial e o combate ao jogo ilegal
Paralelamente, a Polícia Civil de São José do Rio Preto realizou, em 1º de outubro, uma operação para reprimir jogos de azar clandestinos. A ação fiscalizou 32 estabelecimentos, resultando na apreensão de celulares, cumprimento de um mandado de prisão e na elaboração de boletins de ocorrência. Esse esforço reflete a preocupação das autoridades com a proliferação dos jogos ilegais e suas consequências sociais.
A ludopatia como problema de saúde pública
O vício em apostas, também conhecido como ludopatia, afeta cerca de 11 milhões de brasileiros com mais de 14 anos, segundo dados do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas. O psiquiatra Júlio César de Souza destaca que a dependência pode se tornar uma doença séria, acarretando prejuízos sociais, ocupacionais, familiares e financeiros. ‘Essa é uma doença que vem aumentando e virou um problema de saúde pública. A pessoa acaba dilapidando seu patrimônio financeiro, fazendo empréstimos para bancar as apostas’, explicou o médico.
Medidas de intervenção e suporte
Para enfrentar o problema, o Ministério da Saúde ampliou a capacidade de atendimento pelo SUS, oferecendo cerca de 100 mil consultas mensais por meio do aplicativo Meu SUS Digital. O tratamento recomendado inclui psicoterapia, especialmente terapia cognitivo-comportamental, e, em casos mais graves, tratamento medicamentoso. O suporte familiar também é crucial, ajudando a controlar as finanças e limitando o acesso a recursos que facilitem o vício.
Iniciativas governamentais e a ferramenta de autoexclusão
O Governo Federal introduziu a plataforma de autoexclusão, disponível no portal gov.br, que permite aos cidadãos bloquearem voluntariamente seu CPF em todas as casas de apostas autorizadas no país. Desde seu lançamento, mais de 1 milhão de pessoas utilizaram o recurso, mostrando a crescente conscientização sobre os riscos associados ao vício em apostas.
O futuro das apostas no Brasil
Em 25 de setembro, o Governo Federal anunciou a proibição total das apostas de quota fixa, conhecidas como bets, no país. A medida, autorizada pelo presidente Lula (PT), visa conter o avanço do vício em jogos de azar. Com essa proibição, espera-se uma redução na incidência de casos como o do jovem de São José do Rio Preto, que serve de alerta para os perigos do vício em apostas.
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Fonte: https://g1.globo.com








