A esclerose múltipla, uma doença inflamatória crônica que afeta cerca de 40 mil brasileiros, tem sua progressão agravada pela demora no diagnóstico, segundo pesquisa divulgada pela Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM). O estudo, realizado pela HSR Health em parceria com a Roche Farma, revela que aproximadamente 26,6% dos pacientes levam mais de cinco anos para obter um diagnóstico definitivo, e 14,1% esperam uma década ou mais. Os dados foram divulgados durante o Agosto Laranja, mês dedicado à conscientização sobre a doença.
Impacto da demora no diagnóstico
A esclerose múltipla é uma doença autoimune que ataca a mielina, a camada protetora das fibras nervosas, comprometendo a comunicação entre o cérebro e o corpo. Esse processo causa uma série de sintomas, como problemas de visão, formigamento, dormência e fadiga, que podem ser confundidos com outras condições, dificultando o diagnóstico. Segundo o neurologista Rodrigo Kleinpaul, a agilidade no diagnóstico é crucial para prevenir danos permanentes, como a progressão de incapacidade.
Desafios enfrentados pelos pacientes
A pesquisa aponta que 56,8% dos pacientes receberam diagnósticos incorretos antes da confirmação da esclerose múltipla. Os principais obstáculos incluem dificuldade de acesso a médicos especializados e exames complexos, como a ressonância magnética, que pode ser financeiramente inviável para muitos. Além disso, cerca de 36% dos entrevistados mencionaram a falta de conhecimento dos profissionais de saúde como uma barreira significativa, enquanto 18% citaram a própria demora como um impedimento.
Histórias de pacientes
Lucimara de Lima Santana, uma educadora física de 44 anos, ilustra bem essa realidade. Após anos de busca por um diagnóstico correto em São Paulo, ela enfrentou uma verdadeira maratona de consultas e exames. Seus sintomas, como problemas de visão e dificuldades para andar, foram inicialmente atribuídos a outras condições, incluindo ansiedade e colangite biliar primária. Apenas após uma série de exames, incluindo ressonância magnética e coleta de líquor, a esclerose múltipla foi confirmada.
Relevância social e perspectivas futuras
A esclerose múltipla impacta não apenas a saúde física dos pacientes, mas também sua qualidade de vida e inserção social. Mulheres jovens, entre 20 e 40 anos, são as mais afetadas, justamente em sua fase mais produtiva. A doença pode levar à incapacidade permanente, sendo a principal causa de incapacitação neurológica não traumática em adultos jovens. O alerta da ABEM visa sensibilizar tanto a sociedade quanto os profissionais de saúde sobre a importância do diagnóstico precoce e do acesso a tratamentos eficazes.
O papel da conscientização
Campanhas de conscientização como o Agosto Laranja são fundamentais para educar a população sobre os sintomas da esclerose múltipla e a necessidade de procurar ajuda médica especializada diante de sinais suspeitos. Além disso, essas iniciativas podem pressionar por políticas públicas que facilitem o acesso a diagnósticos precisos e tratamentos adequados, especialmente no Sistema Único de Saúde (SUS).
Para acompanhar mais notícias e reportagens aprofundadas sobre saúde e outros temas de interesse, continue acompanhando o RP News, seu portal de informação confiável e diversificado, comprometido com a qualidade e a precisão das informações.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br