A alimentação do pai antes da concepção pode desempenhar um papel crucial na saúde do bebê, conforme indica um estudo realizado com 43 famílias em Ribeirão Preto (SP). Este levantamento sugere que o consumo elevado de alimentos ultraprocessados pelos pais pode estar associado ao maior peso ao nascer e ao aumento de gordura em certas regiões do corpo do recém-nascido. Tais condições são fatores de risco para futuras doenças cardiovasculares e metabólicas.
A importância da dieta paterna
Tradicionalmente, a saúde e a dieta materna recebem mais atenção em estudos sobre a saúde infantil. No entanto, a pesquisa coordenada por Daniela Sartorelli, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, destaca que a alimentação paterna também é relevante. Publicado na revista Nutrition Research, este é o primeiro estudo a demonstrar a ligação entre a ingestão de ultraprocessados pelos pais e a composição corporal do bebê. Os ultraprocessados são alimentos industriais que contêm aditivos químicos e pouco ou nenhum alimento inteiro, como biscoitos recheados e refrigerantes.
Impactos epigenéticos e genéticos
A pesquisa propõe que o consumo de ultraprocessados pode afetar a formação dos espermatozoides antes da concepção, devido a um ambiente pró-inflamatório que altera a qualidade dos espermatozoides e a expressão genética. Este fenômeno, conhecido como epigenética, pode ativar ou desativar genes conforme os hábitos alimentares do pai. O gene IGF-II, que contribui para o crescimento fetal, é um dos afetados por alterações epigenéticas associadas à dieta paterna.
Consumo materno versus paterno
Os resultados indicam uma diferença entre o impacto das dietas materna e paterna. Enquanto o alto consumo de ultraprocessados pelos pais se correlacionou com um maior peso ao nascer, a ingestão desses alimentos pelas mães no início da gestação mostrou o efeito contrário, resultando em bebês com menor peso e medidas corporais. Isso pode estar relacionado à função da placenta, que depende de nutrientes não presentes em alimentos ultraprocessados.
Preditores de saúde ao longo da vida
O peso ao nascer é um indicador vital para a saúde futura, não só na infância, mas também na vida adulta. Pesquisas anteriores já estabeleceram que tanto o baixo quanto o alto peso ao nascer podem levar a doenças não transmissíveis, incluindo complicações cardiovasculares e diabetes tipo 2. Portanto, a qualidade da dieta paterna pode desempenhar um papel significativo no desenvolvimento fetal e na saúde futura do bebê.
Estudos anteriores da mesma equipe indicaram que pais com sobrepeso tendem a ter bebês com menor peso ao nascer. No entanto, a pesquisa atual revela que não é apenas o peso do pai que importa, mas também a qualidade da sua alimentação. Esses descobrimentos ressaltam a importância de uma dieta equilibrada antes da concepção.
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Fonte: https://www.agenciasp.sp.gov.br